A Mobilização Nacional do Dia 24J em Goiás



A Mobilização Nacional do Dia 24 de Julho (24J), a quarta da jornada de mobilização em praticamente dois meses, levou novamente centenas de milhares de pessoas para as ruas em praticamente todos os 26 estados e o Distrito Federal, bem como em algumas cidades do exterior. Estima-se que cerca de 600 mil pessoas, distribuídas em mais de 500 manifestações pelo país, estiveram nas ruas em passeatas, carreatas e atos políticos e simbólicos (Brasil de Fato, 24/07/2021).


Em Goiás, o 24J contou com uma participação menor, tanto em termos de número de manifestantes, quanto de números de manifestações nas diferentes cidades. A Agência de Notícia do Cerrado (ANC), a partir de leitura própria e consulta a organizadores, estima uma participação de aproximadamente 5 mil pessoas, sendo 4.000 na passeata/carreata em Goiânia e 1.000 em demais cidades do interior como Anápolis, Aurilândia, Catalão, Goianésia, Iporá, Jataí, Luziânia e Rio Verde.


O 24J manteve a centralidade em torno do Fora Bolsonaro, comida no prato e vacinação para todos e todas. Ainda que tenha apresentado outras pautas, como a luta contra a Reforma Administrativa e as privatizações de empresas estatais (Eletrobrás, Correios), bem como a defesa das liberdades democráticas (ou democracia, a depender do partido, coletivo, etc) e das condições materiais para o desempenho da função institucional do IBGE, a mobilização se manteve centrada no Fora Bolsonaro e na aceleração do programa de vacinação.


O novo roteiro da mobilização do 24J em Goiânia


Em Goiânia, a programação do 24J consistiu de concentração na Praça do Trabalhador e saída em passeata/carreata pela avenida Goiás, com encerramento previsto na Praça Cívica, o que foi efetivamente realizado. Essa programação conteve um aspecto simbólico, qual seja, os trabalhadores saindo da “sua praça” em direção à “praça do poder”, conforme assinalou Napoleão Batista Ferreira da Costa, secretário Administrativo e Tesoureiro da CUT e secretário de Imprensa do SINTEGO.


A concentração na Praça do Trabalhador apresentou um relativo atraso no que tange à chegada dos militantes, possivelmente porque as alternativas de linhas de transporte público para as proximidades dessa praça são menos numerosas. Também colocou a passeata/carreata em contato com uma parcela menor da população que circulava no centro da cidade quando comparada às manifestações anteriores, também por causa do trajeto, pois somente na Avenida Goiás, na altura entre a Rua 4 e a Rua 3, a concentração de populares foi realmente expressiva.


Foto: Valeska Fernandes

As dimensões e recepção do 24J pela população


Em Goiás, conforme estimativa da ANC, a mobilização do 24J foi um pouco menor quando comparada à do 3J. Em Goiânia, essa diminuição pareceu ser muito maior, talvez isso se deva à maior largura da pista da Avenida Goiás rumo à Praça Cívica, contraposta à largura menor no sentido contrário na mesma avenida, por onde trafegou a mobilização anterior. No interior de Goiás, teve curso uma significativa diminuição do número de cidades em que ocorreram mobilizações. Estima-se que no 3J tenha ocorrido aproximadamente 19 mobilizações entre passeatas/carreatas e atos político-simbólicos, sendo que no 24J recuaram para menos de 10. Deve-se destacar a expressiva mobilização na Cidade de Goiás, com passeata/carreata e ato político-simbólico envolvendo um grande número de participantes.


Ademar Rodrigues de Souza, presidente do SINDSEP-GO, salientou como um dos fatores determinantes da redução das dimensões do 24J, o final do mês de julho, tradicionalmente vinculado às férias de muitas famílias. Fator que pode ter concorrido em particular para uma diminuição expressiva de servidores públicos no movimento. Mas também reconhece o fator “desgaste” acarretado pela realização de quatro mobilizações nacionais em um período de pouco mais de 50 dias. E se pergunta: “vale a pena fazer mobilizações tão próximas? Não seria melhor realizá-las mensalmente?”. Por fim, salienta as dificuldades materiais e financeiras das entidades, o que compromete a construção de mobilizações.

Railton Nascimento Souza, presidente da CTB e do SINPRO GOIÁS, também salientou o fator “férias” como elemento que nos ajuda a compreender a redução das dimensões do movimento. Todavia, foi categórico: “Foi menor, mas não foi um ato esvaziado! Se teve 500 ou 1.000 pessoas a menos, não foi esvaziado politicamente! Também não dá para afirmar que nos encontramos numa variável descendente!”.


Para Letícia Scalabrini, coordenadora geral do DCE-UFG e coordenadora estadual do Movimento Correnteza, a redução do número de pessoas na mobilização em Goiânia e no interior tem uma dimensão “natural”, posto que desgastes acarretado pela continuidade das mobilizações e dificuldades materiais e financeiras tendem a levar a certo refluxo. Mas também salienta que tem “faltado algo a mais”, muitos interpretam os últimos atos como “mais do mesmo”, o que pode estar concorrendo para uma relativa apatia da base organizada de movimentos e entidades. Julga que há “ilusão de grande parte da esquerda social-democrática de que seja possível derrubar Bolsonaro pela via institucional”, o que termina por não conduzir a um engajamento decidido de dadas centrais sindicais e entidades de base filiadas, ou mesmo de entidades estudantis nacionais, em mobilizações realmente massivas. Isto é, as “mobilizações estão sendo bem controladas pelo setor hegemônico, refreando o movimento”.


Rogério Cunha, Coordenador Estadual e membro da Coordenação Nacional do MTST, correlaciona as dificuldades de mobilização ao momento histórico. Para ele há entidades sem discurso para a sua base e muita gente cansada. Poucos movimentos e entidades têm conseguido levar a sua base. Mas no geral, avalia que estamos conseguindo fazer melhor e agregar mais nas mobilizações. Contudo, existe consenso com o fato de que o 24J foi exitoso e cumpriu um bom papel mobilizatório, pois reuniu militantes, juventude, movimento popular e movimento sindical. Também manteve a aceitação positiva da maioria da população. Ademar Rodrigues, todavia, relativiza essas conclusões em dois pontos. Quando realça que permanece o problema da comunicação entre movimentos e entidades de um lado e população de outro: “ainda falamos para nós mesmos!” Isto é, temos dificuldade histórica de “chegar de fato nas massas, de falarmos e sermos entendidos!”. Também indica que essa questão se faz acompanhada do bloqueio que as mídias nacionais e regionais promovem contra nossas mobilizações e lutas. Por fim, indaga: “chegamos ao nosso ápice em termos mobilizatórios? Tudo que ocorre em termos de retrocesso e de discursos e ações reacionárias do Governo Bolsonaro, inclusive negando abertamente o seu programa eleitoral de 2018, e o movimento não cresce!” E conclui: “Bolsonaro não cai! A não ser após o “fechamento” da agenda ultraneoliberal!”.


Foto: Valeska Fernandes

Preocupações quanto à relação entre o Fora Bolsonaro e as pautas sindicais


Um debate intenso, em termos nacionais, tem se desenvolvido em torno da relação entre a pauta Fora Bolsonaro e as pautas sindicais e populares. Esse debate, que já foi apontado nas matérias anteriores de cobertura da jornada de mobilização em curso, elaboradas pela ANC, também emergiu em reuniões de avaliação das mobilizações no âmbito do Fórum Goiano, bem como em entrevistas para a elaboração desta matéria.


Ademar Rodrigues realça que a jornada de mobilização não pode ter como seu único foco a pauta Fora Bolsonaro. A mobilização e luta tem que tratar da reforma trabalhista e consequente aumento do desemprego/subemprego, pejotização e uberização do trabalho, da reforma da previdência e eliminação do direito de aposentadoria para amplas massas. Segundo ele, não podemos “dar as reformas neoliberais como um fato consumado”. A Reforma Administrativa, por sua vez, “está em pleno andamento por meio de portarias e instruções normativas, entre outras medidas aprovadas, ou seja, está sendo encaminhada mesmo sem que a lei que a institui tenha sido aprovada”. Portanto, para Ademar, a pauta Fora Bolsonaro tem que estar profundamente articulada às lutas pela anulação das contrarreformas.


Letícia Scalabrini, por sua vez, realça uma espécie de distanciamento entre a mobilização Fora Bolsonaro e a greve geral, e/ou greves setoriais amplas que deveriam estar sendo lideradas pelas centrais sindicais. Reconhece haver grandes dificuldades em levar a fundo a perspectiva revolucionária no Fórum Goiano, sobretudo quanto às pautas que transcendem a ordem burguesa estabelecida. Compreende que há uma contenção da radicalização possível das lutas por parte de determinadas centrais sindicais, partidos e lideranças políticas.


Railton Nascimento expressa uma visão bastante distinta, que em essência também foi manifestada por Napoleão Batista. Para Railton o “Fora Bolsonaro é o imperativo primeiro! A prioridade número um! Trata-se de um projeto genocida, de destruição do país e de sua soberania, de destruição do Estado de direito! Bolsonaro é uma continuidade do Golpe de 2016, uma espécie de governo bonapartista do capital financeiro internacional! Composto por Presidente e ministros que atuam na contramão das atribuições das suas pastas! Ministra Damares que atua contra as mulheres e direitos humanos, ministro do Meio Ambiente que atua contra o meio ambiente e assim por diante! Assim, Fora Bolsonaro reúne todas as demais pautas e abre uma luz no fim do túnel. Daí a necessidade de uma frente ampla”; ele declara que “precisamos de um caminho para 2022 e retomar o caminho da democracia, dos direitos e da soberania, para colocar o país nos trilhos novamente. A mídia está com a agenda neoliberal e muitos veículos, inclusive, apoiam Bolsonaro abertamente. O Fora Bolsonaro é importante inclusive para desidratá-lo e derrotá-lo em 2022.”

E conclui: “É fundamental derrotar Bolsonaro e o neoliberalismo nas eleições de 2022. Para tanto, temos que modificar a correlação de forças. É necessária uma pauta unificada de esquerda agora e em 2022. Daí a necessidade de uma “frente ampla” liderada pela esquerda – PT, PC do B, PSOL, PCB, UP, ampliada com setores de centro esquerda ainda que carreguem ambigüidades políticas internas como PSB, PDT e Rede), capaz de ser ampliada com lideranças políticas e setores presentes em partidos de centro direita como o MDB, ou mesmo fora de representação partidária, para colocar o país nos trilhos!”.

As posições externadas quanto aos sentidos e pautas relacionadas à Campanha Fora Bolsonaro evidenciam táticas distintas em disputa no âmbito da jornada de mobilização iniciada no dia 29 de maio (29M), conforme a ANC apontou em matérias anteriores. Táticas que envolvem aspectos como a disposição (ou não) de implementar ofensividade ao Fora Bolsonaro, a articulação (ou não) do Fora Bolsonaro ao enfrentamento efetivo das contrarreformas e à construção de greve geral/greves amplas setoriais, e a subordinação (ou não) do Fora Bolsonaro ao calendário eleitoral de 2022.


As forças políticas no 24J em Goiânia


A redução do número de pessoas na mobilização do 24J foi mais evidente na base sindical das entidades de servidores públicos. Letícia Scalabrini também assinalou uma redução expressiva na juventude, bem como de pessoas independentes e/ou sem vínculos organizativos com entidades de base. Todavia, essa redução em números de militantes também se fez presente junto à própria militância organizada das forças políticas.

A presença da militância do PT permaneceu a maior, embora com a permanente dificuldade de se consolidar em bloco político organizado. Presença também realçada pelas numerosas intervenções políticas nas concentrações, realizadas por parlamentares e lideranças históricas vinculadas ao partido, e pela forte infraestrutura de agitação da CUT.

O PCdoB também apresentou uma redução, embora moderada, do número de militantes. Todavia, foi mais organizado quando comparado às outras mobilizações, inclusive com destaque para um grande número de bandeiras do partido, o que ampliou a sua força visual na mobilização.


No âmbito da esquerda socialista, anticapitalista e antiimperialista, esse recuo foi mais evidente no bloco do PSOL. Esse recuo foi notado pela queda do volume de militantes, ao menos no que se pôde ver pela presença visual das forças ligadas ao partido, não repetindo o mesmo êxito do dia 3J. Todavia, esse recuo também foi evidente no bloco da UP e do PCB, embora mantivessem a costumeira organização. Pode-se relativizar esse desempenho em relação ao PCO, um pequeno número de militantes contrastado com uma atuação organizada e visualmente expressiva.


Um aspecto salutar foi a boa presença do movimento popular urbano, com destaque para o MTST, que se mantém mobilizado desde a primeira mobilização da jornada. Rogério da Cunha realçou que esse movimento tinha a perspectiva de retomada das suas mobilizações nacionais em 2020, após a avaliação do governo Bolsonaro-Mourão em 2019, mas ficou comprometida em decorrência da pandemia. Em 2021, no contexto de multiplicação dos despejos – suspensos somente a partir do dia 03 de junho, no STF, quando o ministro Luís Roberto Barroso determinou a suspensão por seis meses de ordens ou medidas de desocupação de áreas que já estavam habitadas antes de 20 de março de 2020, quando foi aprovado o estado de calamidade pública em razão da pandemia da Covid-19 – e com o aumento da carestia, o MTST teve mais força para retomar as mobilizações. Não apenas em torno da pauta da moradia, mas também de pautas como a da defesa das liberdades democráticas. Rogério reconhece que os movimentos populares urbanos estão sendo mais respeitados no Fórum Goiano, o que também ajuda a manter a disposição de contribuir com as mobilizações.


A pauta da defesa das liberdades democráticas


Foto: Valeska Fernandes

As ameaças de golpe proferidas pelo ministro da Defesa, General Braga Netto, na semana que precedeu a mobilização do 24J, levaram para as ruas a pauta que a maior parte das forças políticas denominam por “defesa da democracia”. O general condicionou as próximas eleições à aprovação no Congresso Nacional do voto impresso, sob a alegação de que o mesmo seria “auditável”, dando a entender que a urna eletrônica, por sua vez, não o é. Poucos dias antes do vazamento das ameaças, se soube que o salário acumulado do General e Ministro da Defesa superou os 100 mil reais (Revista Fórum, 24/07/2021).

De fato, trata-se de uma tática política do Governo Bolsonaro-Mourão, que consiste em colocar em movimento um processo golpista, que envolve desde a intimidação de organizações da sociedade civil, instituições e segmentos sociais às vésperas das eleições de 2022, passa pelo descrédito ao processo eleitoral, e se soma a crise institucional e sociopolítica brasileira, o que lhe permite escalar um Estado de exceção e ampliar a presença de elementos autoritários e fascistas constitutivos da sincrética autocracia burguesa brasileira, exemplarmente expressa no Estado policial, tomado por privilégios militares.


O pronto rechaço que o general sofreu, por organizações da sociedade civil do mundo do capital e do trabalho, não representa a derrota dessa tática política. Por outro lado, sinaliza o contexto de confrontação institucional, sociopolítico e eleitoral que se desenvolverá nos próximos 18 meses. Do ponto de vista da ANC, a defesa das “liberdades democráticas” – o que nossa linha editorial distingue de “defesa da democracia” – é fundamental para a condução das lutas da classe trabalhadora de modo a não ser esmagada pelo fascismo, nem ser cooptada pela democracia dos ricos, ampliando espaço para a construção do que se pode compreender como poder popular.


Ainda a questão das intervenções políticas e político-culturais


No que tange às inscrições e contextos das intervenções políticas, permaneceram velhos problemas e emergiram novos. Dentre os problemas, teve curso grande número de inscrições em lista prévia, pessoas não inscritas fazendo uso do microfone e representantes de movimentos e entidades importantes ficaram sem intervir. Visões acerca da superação desses problemas são diversas. Ademar Rodrigues defende um número menor de inscrições, mas com uso de tempo que permita o desenvolvimento de uma exposição coerente de ideias acerca de dada realidade, mediante acordo prévio entre forças políticas e entidades presentes no Fórum Goiano. Railton Nascimento defende que o microfone esteja aberto para intervenções políticas na concentração e ao longo do percurso em alternância com as apresentações culturais, bem como, que a fala seja democratizada para a manifestação de todos os movimentos e entidades presentes, com limitação de inscrição por representação. Rogério da Cunha defende que a inscrição para intervenção política se restrinja a quem constrói o movimento.


No que tange às intervenções político-culturais, Rogério da Cunha realça que “cultura e arte é política também. O povo vê melhor o que queremos passar quando tem uma bateria, uma música. As pessoas ficam mais abertas para ouvir, o que muitas vezes não acontece nas falas políticas”.


Para Ademar Rodrigues a presença da cultura na mobilização é muito importante. Todavia, temos que mesclar intervenções políticas e culturais. O mesmo vale para os carros de som: “não um carro para intervenções políticas e outro para intervenções culturais, mas articulados e articulando intervenções políticas e culturais”.


Railton Nascimento compreende que não pode haver contradição entre agenda política e agenda cultural, pois são complementares em suas especificidades no Fora Bolsonaro. Em suas palavras: “se há algo para ser repensado, cabe avaliar as músicas e outras linguagens artísticas em relação à pauta Fora Bolsonaro, para que haja maior identidade entre a mobilização e a população. Há um patrimônio cultural do nosso povo que a mobilização pode retratar melhor em termos, por exemplo, das músicas que seleciona. É preciso fazer uma leitura histórica e cultural em articulação com a pauta Fora Bolsonaro”. Railton também compreende que o repertório cultural proposto para cada mobilização pode vir a ser compartilhado e discutido previamente. Esses aspectos, de certo modo, também foram realçados por Gilvan Rodrigues do MST em matéria anterior, quando discorreu acerca da linguagem teatral na mobilização.


A presença de familiares de vítimas da Covid-19


Em Goiânia e em várias cidades do interior foram feitas, no 24J, homenagens aos mais de 540 mil mortos pela Covid-19. Também fez-se presente a recém criada Vida e Justiça – Associação Nacional em Apoio e Defesa dos Direitos das Vítimas da Covid-19 – Seccional Goiás, com familiares que tiveram vidas de entes queridos perdidos na pandemia, participando da mobilização na fase de concentração inicial. Alguns membros da associação acompanharam todo o percurso da passeata/carreata.


À guisa de conclusão


O 24J pode ter encerrado uma primeira fase da jornada nacional de mobilização pelo Fora Bolsonaro. Efetivamente, frentes e fóruns avaliarão a jornada e deverão construir uma nova agenda nacional de mobilização e luta. A ANC, mediante reportagem prevista para a primeira semana de agosto, aproveitará esse contexto para se debruçar sobre as três táticas que se fizeram presentes na jornada de mobilização e como foram operadas no contexto da disputa política na construção dessa jornada.


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