Derrubar Bolsonaro e Derrotar o Projeto que o Criou

Atualizado: 17 de jul. de 2021

É frequente a afirmação de que o presidente da República não esteja “apto” para ocupar o cargo para o qual foi eleito. Para muitos, a pesquisa do Datafolha, que aponta que 63% da população considera Bolsonaro incapaz de liderar o Brasil, confirmaria esta falta de “aptidão”.


De fato, Jair esbanja discursos que facilmente se encaixariam na famosa anedota do presidente burro, contada por Ariano Suassuna. Mas talvez nenhum outro no cargo tenha tido tanto êxito.


Sob a tutela do partido militar, com o aluguel do centrão e o apoio da direita expresso em votos no parlamento, mesmo quando se pretende uma oposição no discurso, Bolsonaro, Mourão e Guedes têm avançado em todas as pautas que internalizou o projeto do Golpe de Estado de 2016 e que levam para o Congresso. Reforma da Previdência, privatização da Eletrobras, desmonte da legislação ambiental, crescente reconfiguração fascista do Estado e avanço do armamentismo e milícias são apenas alguns exemplos. Além disso, o governo ainda se furta a executar orçamentos aprovados, como no caso do Ministério das Mulheres, da Família e dos Direitos Humanos que utilizou apenas 5,4% do orçamento destinado à proteção das mulheres em 2020. Estas ações e inações do governo não apenas estão absolutamente alinhadas ao projeto do Golpe e à campanha eleitoral de 2018, mas traduz necessidades de preservação da rentabilidade do capital financeiro e produtivo sob crise capitalista sistêmica em termos mundiais e nacionais à custa dos trabalhadores. Portanto, não podemos considerar o governo Bolsonaro uma gestão presidencial fracassada.


Tal política, somada ao projeto de morte no enfrentamento da pandemia, engatilhou manifestações populares em todo o país, mesmo em meio a insegurança causada pela crise sanitária, conforme o texto Conjuntura e as mobilizações de maio e junho em Goiás, de Walmir Barbosa e Renato Costa. O gatilho foi puxado, alcançando ainda mais pessoas após as descobertas recentes da CPI da Covid de possíveis esquemas de corrupção que levaram à morte centenas de milhares de brasileiros.


Agora o que se percebe, especialmente após o ato do dia 3 de julho, é que a corrupção canaliza novamente as atenções de grupos que se somam à luta pelo Fora Bolsonaro, inclusive de centro direita. Entretanto, dar prioridade ao problema da corrupção - que é real, mas sistêmico - e esquecer da boiada que passou é um erro que não podemos cometer. Seguindo por essa linha, uma mera substituição do representante da ordem burguesa nas urnas assegurará a continuidade da recomposição social, política, econômica e cultural da sociedade brasileira com base no projeto do golpe de Estado de 2016.


Devido à multiplicidade de movimentos que saem às ruas neste momento, e que poderá ser ampliado com a oposição burguesa de centro direita exaltada e golpista, a chamada Fora Bolsonaro é necessária como fator aglutinador, mas tem que ser articulada à derrocada do projeto do Golpe de Estado de 2016. Concretamente, tem que ser articulado à anulação das contrarreformas neoliberais, à desfascistização do Estado e à reafirmação das liberdades democráticas!

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