Em questão, a Greve Geral!

A sociedade brasileira convive com um quadro de crise social, política, econômica e cultural jamais vivenciada. A crise sanitária e ambiental, bem como o desemprego e a inflação colocam literalmente a vida de milhões de trabalhadores/as e das camadas populares sob ameaça. Por fim, uma ofensiva inclemente das classes dominantes contra os trabalhadores, na forma de ataque a direitos sociais e trabalhistas e de abusos policiais, também assumem realce nesse quadro.


A crise determina a movimentação política de entidades e movimentos sociais. Fóruns nacionais/regionais, centrais sindicais e uma diversidade de entidades e movimentos populares e estudantis promovem a jornada de mobilização pelo Fora Bolsonaro, até o momento com pelo menos quatro dias nacionais de mobilização entre maio e julho e a indicação do quinto dia na data do “Grito dos Excluídos” – 07 de setembro.


No município de Goiânia, há dias temos visto uma movimentação intensa. Apenas para citar alguns exemplos, aqui na Agência de Notícias do Cerrado (ANC) você leu sobre a mobilização dos servidores da saúde contra a privatização da aplicação das vacinas, de diversas categorias de servidores do município pelo cumprimento da Data-Base e da frente ampla em defesa da cultura contra o calote do governo estadual na lei Aldir Blanc. Estas mobilizações convergem todas a um ponto em comum: a defesa da devida destinação das verbas públicas, com fim de atender às demandas da sociedade.


Mais recentemente fóruns, sindicatos e movimentos diretamente vinculados aos servidores públicos em todo o país programaram a Greve Geral Nacional dos Servidores Públicos contra a Reforma Administrativa (PEC 32/2020) para esta quarta-feira, dia 18 de agosto, posto que retira direitos dos trabalhadores ao serviço público, acaba com a estabilidade e com os concursos públicos, amplia dinâmicas clientelísticas no serviço público e cria um caminho com vista ao seu sucateamento e privatização.


Nesse quadro, emerge como grande necessidade a articulação dos movimentos de rua com greves de diversos setores em vários pontos do país e, em especial, a construção da greve geral da classe trabalhadora, com vista a derrotar o governo Bolsonaro-Mourão-Guedes e seus aliados, bem como o projeto que eles representam. Para tanto, é imprescindível que fóruns, centrais sindicais e entidades populares convoquem suas bases e digam claramente: Greve Geral Já!


Convocar e realizar a Greve Geral apresenta-se como uma necessidade para a classe trabalhadora colocar a luta de classes no plano político classista. Convivemos, é certo, com condições objetivas e subjetivas adversas, para o qual o peso histórico da formação social brasileira, a política de passivização reiterada em um passado não muito distante e o regressismo político em curso, foram decisivos. Todavia, em que pese os três grandes obstáculos, ousar lutar é preciso! E pautar e construir a Greve Geral é uma necessidade que guarda uma possibilidade que deve ser disputada!

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