Sobre a escalada da violência policial em Goiás

Nos últimos meses a polícia de Goiás tem trazido um triste destaque midiático ao estado. Os diversos ocorridos não são um “ponto fora da curva”, como o leitor da Agência de Notícias do Cerrado deve saber. Contudo, mesmo dentro da já esperada brutalidade policial, o que se passa em nosso estado é extraordinário, e não pode ser normalizado. Verdade é que, mesmo os partidos de esquerda e o movimento social e estudantil não têm tido força para contrapor-se à atual escalada da polícia caiadista, que tem assumido cada vez mais centralidade nas relações entre o Estado goiano e a classe trabalhadora.

Podemos citar casos de racismo como o que vitimou o eletricista Felipe Ferreira, abordado em maio deste ano em Cidade Ocidental por andar de bicicleta. Felipe foi obrigado a assinar um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) por supostamente ter desobedecido ordem policial. Após a repercussão da abordagem, registrada em vídeo por Felipe, ele passou a ser perseguido e intimidado por policiais, tendo que pedir demissão do emprego e mudar de estado. O Tribunal de Justiça de Goiás decidiu que os PM’s não foram racistas e que questionar a abordagem poderia provocar “desordem social”.


Felipe não é o único ciclista agredido pela polícia goiana nos últimos meses. Odilon Ancelmo da Silveira Neto foi propositalmente atropelado por uma viatura da polícia, como comprovam gravações de câmeras de segurança. A agressão ocorreu na cidade de Quirinópolis, no início de agosto. Os policiais foram afastados, mas Odilon teme por sua vida.


Os protocolos de abordagem parecem ser ignorados pelas forças de segurança em sua atividade cotidiana. Em Simolândia, noroeste do estado, um policial militar agrediu uma mulher ao tentar retirar-lhe o celular. Ela apenas filmava uma abordagem policial. Mas ao mesmo tempo, os próprios protocolos vêm sendo radicalizados, com a utilização da violência física assumindo centralidade nas abordagens, mesmo em situações sem confronto direto, como demonstraram recentemente as agressões injustificadas sofridas pelo advogado Orcelino Ferreira Silvério Junior, “imobilizado”, espancado e arrastado de forma brutal pelas forças policiais, depois de tentar mediar uma abordagem realizada pela PM à um morador de rua, que também era agredido pelos policiais, na cidade de Goiânia, dia 21 de julho. Após preso, Orcelino denunciou que continuou sendo vítima de agressões e tortura na delegacia que foi enviado. No dia 23 de agosto a OAB-GO denunciou a Polícia Militar goiana à ONU.


O descontrole e violência policiais não ocorrem apenas durante o expediente. Diversos são os casos de policiais que agrediram e assassinaram pessoas durante suas “folgas”. No início de agosto, em Goiânia, um policial militar agrediu um rapaz por este ser gay. No mesmo mês, mas na cidade de Itaguari, um policial militar espancou uma mulher em um bar. Ela seria sua amante e estaria tentando diálogo com a esposa do agressor. O PM encontra-se em liberdade.


Ronaldo Caiado admite excessos, mas nada faz para tentar diminuir os conflitos ocasionados pela polícia que encontra-se sob seu controle, sequer divulga os dados oficiais de violência policial no estado. Diante disso, é imprescindível que os partidos políticos de esquerda, movimentos sociais e estudantil juntem forças a fim de pressionar a transparência no poder público e tomar as devidas ações contra policiais que abusam da autoridade.

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